sexta-feira, 14 de maio de 2010

CONSCIÊNCIA E ATITUDE

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Abolição ou Senzala Moderna?
por Jéssica Balbino
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As discussões acerca do tema são inúmeras e as conclusões são um sem-número de tentativas de encontrar uma solução ou um paliativo para falsa abolição que acompanha os brasileiros por mais de um século. Numa data em que deveríamos festejar os 112 anos da abolição da escravatura, vemos que não apenas os negros, mas brancos, índios e amarelos são colocados nos troncos todas os dias, quando acordam com ainda de madrugada e vão para o trabalho curtindo o frio e a barriga vazia.
Amassados em ônibus, se dirigem aos sub-empregos, onde o salário nunca dá sequer para o básico e o esculacho é terrível. Na marmita, o almoço que serve também de janta é a única refeição do dia daquele escravo moderno que trocou o "elo-da-corrente" pela carteira assinada, o INSS pago e as horas intermináveis longe de casa e sem lazer em nome de uma "vida honesta".
A senzala mudou de nome e hoje é chamada de periferia, gueto ou favela. Abriga não mais os negros escravos, mas toda uma população miscigenada de cores e raças que compõe o cenário mais triste dos noticiários, estampados em fotos sangrentas nas capas dos jornais.
Mortos de fome, de vergonha, de desonra e de luta por uma sociedade melhor. Menos marginal, menos injusta e mais humana.
Os sonhos de Zumbi dos Palmares ficam escondidos e brilham, discretamente, nos olhos daquela criança que acompanha a festa de Congada em louvor a São Benedito, o santo negro, ou naquela outra que pede esmolas no farol e sequer imagina porque é negra e não branca e por que tem de ficar ali, numa vida miserável, enquanto os carros importados fecham seus vidros blindados. Corremos dos nossos "senhores" e nos escondemos atrás de falsas esperanças e promessas, de ilusões vendidas a preços exorbitantes no mercado da mídia, que nos consome e corrói, sem a liberdade de escolha nem pela nossa própria cultura. Lamento, mas a senzala moderna pulsa e amanhã é mais um dia de tronco e chibatadas !

Um comentário:

  1. Infelizmente, estta é a verdade do dia-a-dia. Fraterno abraço, Ester.

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