SÁBADO POÉTICO - A POESIA NÃO PARA
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neste sábado pela manhã participei de um sarau na EE Edgar Francisco, em Taboão da Serra, organizado pela Professora Iara. Bom, Conheço a professora da escola "Denoel Eller", do Jd. Panorama, onde além de promover saraus com alunos, ela também fez um livro com os poemas dos estudantes. Fui padrinho.
Ela é daquelas educadoras que nem o José Serra é capaz de destruir, um guerreira que emociona, incansável, apaixonada, inconteste, uma pessoa extremamente doce, e querealmente gosta do que faz. Uma das minhas heroínas. Se um dia eu crescer, quero ser igual a ela.
A Iara reuniu as 8 salas que ela leciona, passou mais de uma semana fazendo com que os alunos escrevessem poemas, e com eles fez um varal de poesia, e neste sábado pela manhã realizou um sarau com esta produção. Bom, eu, tive a honra de ser convidado para participar com meus humildes poemas.
Os alunos Vítor Hugo e Adão leram o manifesto "sim nós podemos..." escrito pela sexta série, e posso garantir que foi uma das coisas mais bonitas que ouvi este ano. Ao final, sob aplausos de uma comunidade generosa, muitas lágrimas. De emoção. De agradecimento. Que coisa linda!
Aliás, lindo foi ver o pátio lotado com pais e mães de alunos fortalecendo a escola que o estado insiste em destruir, e a molecada com um brilho cristalino nos olhos, como que dizendo ao mundo: "sim, eu posso, sou possível." Da hora.
Da hora também é saber que a poesia está navegando em mares nunca antes navegado, e saber que a juventude está se apropriando da literatura, sem arrogância, sem frescura, mas com a leveza irresponsável que a juventude pode proporcionar.
Da hora mesmo é saber que tudo isso esta acontecendo na periferia, nas escolas públicas, nas ruas, nos presídios, na favela, nos bares, e em tudo quanto é lugar que haja uma pessoa para ouvir um poema, por mais magro que seja. E que tudo foi feito por nós, para nós. De dentro para dentro.
Já disse antes, porém torno a repetir, ler os livros é muito bom, mas contextualizá-los, é melhor ainda. Evoluir para revolucionar. É isso. O resto é masturbação ideológica.
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Por uma periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
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Sérgio Vaz
Vira-lata da literatura
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