POVO LINDO, POVO INTELIGENTE - SERGIO VAZ
Já tem algum tempo que venho batendo na tecla que estamos vivendo, culturalmente falando, a nossa Primavera Periférica.
Já estava mais do que na hora dessa gente mais do que bronzeada mostrar o seu valor. E quem tem valor, não tem preço.
Só quem não anda e não vive pelas quebradas de São Paulo, ou ainda torce o nariz, não sabe do que estou falando. Uma evolução aos gritos ocorre em silêncio e somente atentos ouvidos podem escutar.
A periferia de São Paulo vive hoje a mesma efervescência cultural que a classe média viveu nos anos 60/70 considerada o auge da criatividade e engajamento artístico.
Um exemplo é o RAP que é pra nós o que a MPB representava para os jovens na ditadura em que o Brasil estava mergulhado. O grafite, a nossa artes-plásticas. E por aí vai.
Desde quando o Hip Hop surgiu em meados dos anos 80 sacudindo os becos e vielas dando voz aos excluídos e despertando os adormecidos, as ruas nunca mais foram as mesmas. As ruas que estavam mortas foram ressuscitadas e a literatura deu-lhe uma nova alma. Transformando as as pessoas também.
Ainda falta muito cimento em barraco de madeira e ainda falta muita terra pra combater o cimento no coração dos poderosos, e é disso que nossa arte fala: Dessa coisa do branco no preto sem o preto no branco. Captou, capitão?
Quem poderia imaginar que um dia, um sarau de poesia - entre mais de 50 que acontecem em Sampa-, no extremo da periferia paulistana, região que já foi considerada Vietnã, devido à violência extrema, poderia completar 10 anos de atividade?
Quem poderia imaginar que a literatura ia invadir bares e transformá-los em centro Culturais, e que esses mesmo bares iam virar cineclubes, espaços para teatro, debates, música, dança, lançamento de livros, Cds e demais práticas culturais e artísticas?
E o que seria mais importante, que viria do povo, para o povo, sem intervenção ou concessão de ninguém? Pois é, esse dia chegou.
Os trabalhadores estão praticando um outro tipo de esporte: a Literatura falada. Aquela que não cabe nos livros, que não aceita enquadro da gramática, e que muitas vezes discorda da concordância. Mas e daí, concorda comigo?
A Poesia está na pauta dos despautados contrariando os despeitados.
Acho que a gente fala certo, mas algumas pessoas insistem em escutar errado, só pelo prazer de praticar um outro esporte muito comum nas rodas letradas: a falta de generosidade, de senso e de patriotismo.
Não posso entender como ainda tem pessoas que bradam retumbante que querem um país melhor, mas ao mesmo tempo, não querem que o sol da liberdade brilhe pra todo mundo.
Fomos nós, os esquecidos, que não fugimos à luta, e durante muitos anos tememos pela nossa própria vida.
Por aqui ninguém vai pedir autorização pra ninguém para escrever poesia, conto, romance e publicá-los, ou não, em livros que se espalham falecidos pelas paredes. É a boca suja limpando o passado, esfregando o poema na cara dos mesquinhos patriotas.
Se a palavra liberta, então somos livres!
E se algumas pessoas ainda não sabem, é isso que estamos fazendo: despertando os adormecidos para que todos saibam, que não há mais tempo a perder, e a felicidade, ainda que tardia, deve ser conquistada, e que ninguém mais agradeça pelas migalhas do cotidiano.
A beleza de nossas palavras que ora trilham nossas veredas, brotam de uma vida repleta de espinhos, mas que ninguém divide deste perfume chamado poesia, porque é a essência da nossa revolução.
Quem nunca passou por nenhum tipo de inverno não pode entender a nossa Primavera, não pode compreender o valor que é, a alegria de ver cada flor que nasce, regada com as lágrimas e o suor de um povo que "adora um deus chamado trabalho" nesse solo duro e nada gentil chamado Brasil.
Já estava mais do que na hora dessa gente mais do que bronzeada mostrar o seu valor. E quem tem valor, não tem preço.
Só quem não anda e não vive pelas quebradas de São Paulo, ou ainda torce o nariz, não sabe do que estou falando. Uma evolução aos gritos ocorre em silêncio e somente atentos ouvidos podem escutar.
A periferia de São Paulo vive hoje a mesma efervescência cultural que a classe média viveu nos anos 60/70 considerada o auge da criatividade e engajamento artístico.
Um exemplo é o RAP que é pra nós o que a MPB representava para os jovens na ditadura em que o Brasil estava mergulhado. O grafite, a nossa artes-plásticas. E por aí vai.
Desde quando o Hip Hop surgiu em meados dos anos 80 sacudindo os becos e vielas dando voz aos excluídos e despertando os adormecidos, as ruas nunca mais foram as mesmas. As ruas que estavam mortas foram ressuscitadas e a literatura deu-lhe uma nova alma. Transformando as as pessoas também.
Ainda falta muito cimento em barraco de madeira e ainda falta muita terra pra combater o cimento no coração dos poderosos, e é disso que nossa arte fala: Dessa coisa do branco no preto sem o preto no branco. Captou, capitão?
Quem poderia imaginar que um dia, um sarau de poesia - entre mais de 50 que acontecem em Sampa-, no extremo da periferia paulistana, região que já foi considerada Vietnã, devido à violência extrema, poderia completar 10 anos de atividade?
Quem poderia imaginar que a literatura ia invadir bares e transformá-los em centro Culturais, e que esses mesmo bares iam virar cineclubes, espaços para teatro, debates, música, dança, lançamento de livros, Cds e demais práticas culturais e artísticas?
E o que seria mais importante, que viria do povo, para o povo, sem intervenção ou concessão de ninguém? Pois é, esse dia chegou.
Os trabalhadores estão praticando um outro tipo de esporte: a Literatura falada. Aquela que não cabe nos livros, que não aceita enquadro da gramática, e que muitas vezes discorda da concordância. Mas e daí, concorda comigo?
A Poesia está na pauta dos despautados contrariando os despeitados.
Acho que a gente fala certo, mas algumas pessoas insistem em escutar errado, só pelo prazer de praticar um outro esporte muito comum nas rodas letradas: a falta de generosidade, de senso e de patriotismo.
Não posso entender como ainda tem pessoas que bradam retumbante que querem um país melhor, mas ao mesmo tempo, não querem que o sol da liberdade brilhe pra todo mundo.
Fomos nós, os esquecidos, que não fugimos à luta, e durante muitos anos tememos pela nossa própria vida.
Por aqui ninguém vai pedir autorização pra ninguém para escrever poesia, conto, romance e publicá-los, ou não, em livros que se espalham falecidos pelas paredes. É a boca suja limpando o passado, esfregando o poema na cara dos mesquinhos patriotas.
Se a palavra liberta, então somos livres!
E se algumas pessoas ainda não sabem, é isso que estamos fazendo: despertando os adormecidos para que todos saibam, que não há mais tempo a perder, e a felicidade, ainda que tardia, deve ser conquistada, e que ninguém mais agradeça pelas migalhas do cotidiano.
A beleza de nossas palavras que ora trilham nossas veredas, brotam de uma vida repleta de espinhos, mas que ninguém divide deste perfume chamado poesia, porque é a essência da nossa revolução.
Quem nunca passou por nenhum tipo de inverno não pode entender a nossa Primavera, não pode compreender o valor que é, a alegria de ver cada flor que nasce, regada com as lágrimas e o suor de um povo que "adora um deus chamado trabalho" nesse solo duro e nada gentil chamado Brasil.
"despertando os adormecido"...
ResponderExcluirÉ a arte que liberta Sergio!
São de poetas, como você, comprometidos com a humanidade inteira que precisamos.
Parabéns pelo inspirador trabalho!
É um prazer e uma emoção ver florescer esse movimento. Segunda feira, no Binho, em meio a chuva, e ao frio, a poesia aconteceu no meio da rua, embaixo dos guarda-chuvas e até embaixo d'água.
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